sábado, 23 de outubro de 2010

Fonte: Extra Online

Tropa de Elite para alunos

 do Estado do Rio de Janeiro 

Sandro Rocha (jaqueta) e André Ramiro após recepcionarem os alunos da rede estadual - Fabiano Rocha

Expressões de alegria, surpresa e, principalmente, de reflexão. Assim estavam os alunos de escolas estaduais que assistiram ontem ao Tropa de Elite 2, no Cine 10, em Sulacap. A exibição comemorou os quase 300 mil beneficiados pelo programa "Cinema para Todos", que distribui vale-ingressos para alunos e professores da rede estadual assistirem a filmes nacionais. Antes da sessão, os alunos foram recepcionados pelo diretor do longa, José Padilha, e pelos atores Sandro Rocha e André Ramiro.

Para Luiz Maheus dos Santos, de 16 anos, aluno do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Mário de Andrade, o filme, que aborda o envolvimento entre milícia e políticos, fez com que ele refletisse sobre a sociedade.

— Tem muita injustiça retratada ali. Acho que algo deve ser feito para que possamos viver numa sociedade mais justa — explicou.

Já Laís Fonseca Cândido, de 16 anos, aluna do 1º ano do Ciep Tarso de Castro, afirmou que conseguiu entender melhor o que acontece na política, após o filme.

 — O filme mostrou a política de fato e, às vezes, a gente que está de fora não sabe como é. O filme mostra que é diferente da realidade. E para pior, infelizmente.

A secretária Estadual de Cultura, Adriana Rattes, e o secretário Estadual de Educação, Wilson Risolia Rodrigues, também estiveram presentes na sessão. Adriana explicou que a finalidade didática do filme para os estudantes vai depender de cada professor, mas ressaltou a importância educativa.

— O programa ajuda a forma esses jovens e tem papel educativo como qualquer experiência estética. Às vezes um quadro transforma nossa vida.

Alunos tietam atores e diretor (boné) de Tropa de Elite 2 - Fabiano Rocha

Cinema na escola
Por apresentar elementos questionáveis da política, o filme poderia não agradar tanto como o primeiro longa, mas o resultado foi surpreendente. A diretora do Ciep Tarso de Castro, Alcilene de Almeida Sousa, de 41 anos, afirmou que os professores vão poder, inclusive, discutir os principais aspectos do filme com os alunos e fazer uma relação entre a ficção e o que realmente vivenciam.

— A escola é na Vila Kennedy, em Bangu, bem próximo ao presídio, que é citado no filme. Durante a exibição, os alunos faziam várias comparações do filme com a política atual. E eu pude ver neles a esperança de que um dia a política trabalharia para a população — explicou a diretora.

Sandro, que interpreta o miliciano Rocha, afirma que o filme tem um fim didático por explicar a dinâmica da violência.

— A violência é a mesma que nós vivenciamos. Só tem uma lente de aumento por ser cinema. Mas é um grande exemplo para que a gente não siga aquele caminho.

André Ramiro, que vive o capitão Mathias, acredita que a exibição para jovens a partir de 16 anos pode estimular neles a consciência política.

— O filme não vai conseguir resolver todos os problemas, mas é uma ótima referência para esses jovens que já começaram a votar. É importante que ele entenda os problemas de seu país para que ele mesmo possa resolver.

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